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Escrito por ASPP/PSP – Gabinete de Comunicação e Informação   

I e II Encontros Nacionais dos Profissionais da PSP

Em 28 de Janeiro de 1989, o ministro da Administração Interna, Silveira Godinho, declarou à Imprensa que a "realidade portuguesa aconselha no sentido de haver associações de âmbito deontológico mas não sindicatos". Nesse mesmo dia, a ASP/PSP agendou um Encontro Nacional dos Profissionais da PSP para 10 de Março seguinte, a fim de decidir acções a empreender.

Em 7 de Março de 1989, o Comando-Geral da PSP informou todos os departamentos que tinha mandado instaurar um processo disciplinar ao coordenador nacional da ASP/PSP, José Carreira, e a outros profissionais da PSP.

Em 10 de Março de 1989, cerca de 1.600 polícias, em grande parte uniformizados, responderam ao apelo da ASP/PSP, e reuniram-se no Pavilhão do BESCL – Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa. Entre os convidados para este I Encontro Nacional dos Profissionais da PSP, contavam-se representantes da UGT, CGTP-IN, Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, sindicatos da Função Pública, Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal/PJ (ASFIC) e Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional. A ASP/PSP fez denúncias e apresentou reivindicações. Deu ao Governo o prazo de um mês para obter respostas. Foi uma lição de maturidade e de consciência profissionais. A ASP/PSP consagrava-se, perante a classe policial e a opinião pública, na sua representatividade e capacidade mobilizadoras entre os profissionais da PSP.

Em 16 de Março de 1989, o comandante-geral da PSP, general Amílcar Morgado, preside a uma reunião de comandos. Outros processos disciplinares foram instaurados a profissionais da PSP. O primeiro-ministro, Cavaco Silva, fez advertências aos sindicalistas.

Em 5 de Abril de 1989, a ASP/PSP dirigiu uma carta ao Presidente da República, Mário Soares, expondo-lhe todos os problemas com que os Profissionais da PSP se confrontavam. A ASP/PSP escrevia, nomeadamente: "Não é sem preocupação que se assiste a tentativas de envolver a nossa Hierarquia em questões de cunho marcadamente político em desfavor do processo da profissionalização dos agentes da PSP e dos problemas específicos de índole social (...) A ASP/PSP mantém-se aberta e inteiramente disponível para dialogar. A ASP/PSP não necessita de heróis".

Em 8 de Abril de 1989, em virtude de o Governo não ter dado sinais de querer dialogar - e também porque os processos disciplinares prosseguiram, as perseguições intensificaram-se e as ameaças avolumaram-se –, a ASP/PSP anunciou que tencionava realizar o II Encontro Nacional dos Profissionais da PSP, em 21 do mesmo mês.

Em 20 de Abril de 1989, a ASP/PSP editou o primeiro número do boletim O Crachá.

Em 21 de Abril de 1989, o II Encontro Nacional dos Profissionais da PSP decorreu na sede da Voz do Operário, em Lisboa. Entre os convidados, contavam-se os representantes da CGTP-IN, Carvalho da Silva, e da UGT, Torres Couto. O ministro da Administração Interna, que tinha sido convidado, não se fez representar. No final do encontro, os elementos constituintes da mesa que presidira à assembleia desceram à sede do ministério da tutela, acompanhados por centenas de polícias, para entregarem a moção que tinha sido aprovada. Em marcha silenciosa, pacífica, correcta e de perfeito civismo, chegaram à Praça do Comércio, onde foram recebidos pela carga do Corpo de Intervenção, comandado pelo tenente-coronel Governo Maia. Os confrontos no Terreiro do Paço, que envolveram cães e canhões de água, prolongaram-se ao longo de 90 minutos e provocaram feridos. Imagens de televisão levaram a todo o Mundo as tristes cenas da carga do Corpo de Intervenção sobre a manifestação pacífica dos Profissionais da PSP. Seis elementos da delegação da ASP/PSP foram detidos. Os confrontos ficaram conhecidos por "Secos e molhados".