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| Escrito por ASPP/PSP – Gabinete de Comunicação e Informação |
Ideia do Sindicato da PolíciaOs homens e as mulheres que serviam na PSP, em 1974, não podiam alhear-se da Revolução dos Cravos. Os profissionais da PSP tomavam consciência disso, assim como das contradições do estatuto então vigente das forças policiais. Foi em 1975 que os profissionais da PSP iniciaram a sua luta pelo exercício dos direitos que vieram a ser consagrados na Constituição de 1976. O conhecimento da existência de associações de carácter profissional na generalidade das Polícias europeias deu ainda mais ânimo a que os profissionais da PSP rompessem definitivamente o bloqueio estrutural que os inibia de constitucionalmente se associarem (para defenderem os seus interesses e valores profissionais) e que os privava de se identificarem com a comunidade. Para fugirem à repressão, os "sindicalistas" da PSP realizavam encontros em lugares onde não pudessem ser vistos nem ouvidos. Faziam reuniões nocturnas, na praia, nos bancos dos jardins ou à mesa dos cafés. Impedidos de exercerem direitos de reunião e expressão, usavam pseudónimos ou refugiavam-se no anonimato. Em 1979, um grupo de polícias comemorou o "25 de Abril", sem uniformes e com cravos na lapela, promovendo um almoço num restaurante em Lisboa. Foi o ponto de partida para os defensores do Sindicalismo na PSP intensificaram os contactos, particularmente em Coimbra, Lisboa e Porto. Produziram-se muitos documentos, dispersos, de origem diversa, sob os mais variados apelos, protegidos por cauteloso anonimato, mas identificados sempre pela mesma divisa: "Por maioria de razão...". Em finais de 1979, começaram a reunir-se a nível nacional. Nestes encontros, assinalava-se já a presença de vários activistas que têm hoje os nomes inscritos em páginas marcantes da história da luta pelo sindicalismo policial em Portugal. Em Agosto de 1981, os jornais Diário Popular, Jornal de Notícias e Portugal Hoje noticiaram o aparecimento, nas esquadras da PSP do Porto, de um documento dactilografado e intitulado "Um sindicato para nossa defesa – PSP/CDPorto". Alertava para a necessidade de os polícias cuidarem, "de uma maneira correcta", as questões profissionais e do seu futuro. "Porque é que não podemos discutir em conjunto os nossos problemas, apresentar soluções, ter representantes eleitos para levar a vontade de todos ao Comando, ao Governo, aonde for necessário?", perguntavam os autores do documento. Em Setembro de 1981, o comandante-geral da PSP, brigadeiro Almeida Bruno, veio a público afirmar: "(...) Quando me falam em sindicato de polícias, digo que o sindicato já existe e que o comandante-geral da Polícia de Segurança Pública é o presidente". A estas afirmações, os activistas sindicais limitaram-se a responder: "Estando o senhor de acordo ou não, o nosso Sindicato há-de ser uma realidade. Demorará mais ou menos tempo, enfrentará muitos e grandes obstáculos, mas os profissionais da Polícia formarão o seu Sindicato, dispensando o Comandante-Geral da presidência". Este comentário, datado de Abril de 1982, surgiu em Um sindicato para nossa defesa – PSP/CDPorto, que então se assumia já como "boletim". Um pouco por todo o país, tinha entretanto passado à prática, nos vários núcleos de apoiantes do movimento sindical na PSP, articular "almoços de confraternização" com datas de elevado valor simbólico para a jovem democracia portuguesa, como forma de congregar ânimos e apoios, assim como para manter vida a chama pelo ideal sindicalista. |



